11/05/2009

Velocidade da web causará perda de memória, diz Umberto Eco

Crítico e romancista italiano fala sobre velocidade da internet e seus efeitos

Antes de se consagrar como romancista, Eco já era considerado um importante semiótico, autor de obras marcantes como "Apocalípticos e Integrados" e "Super-Homem de Massa" (sobre a cultura de massa, analisando romances de folhetim e quadrinhos), "Como Se Faz uma Tese" e "Obra Aberta" (Perspectiva). Na ficção, além de "O Nome da Rosa" (Best Seller), publicou "O Pêndulo de Foucault", "A Ilha do Dia Anterior", "Baudolino" e "A Misteriosa Chama da Rainha Loana" (Record). Sobre tradução, saiu no Brasil em 2007 "Quase a Mesma Coisa" (também pela Record).

PERGUNTA - Existe alguma saída para esse mal-estar universal?

ECO - No momento, não. E, se eu tivesse a receita, a venderia ao presidente dos EUA por alguns bilhões de dólares! PERGUNTA - Com certeza. E quem será ele?ECO - E que sei eu? Os escritores não somos Nostradamus. PERGUNTA - O que é certo é que alguns anos atrás o sr. disse que viveríamos de modo rapidíssimo, e agora vivemos em velocidades supersônicas.ECO - E tudo o que existe agora será obsoleto dentro de pouco tempo. Até o e-mail será obsoleto, porque tudo será feito com o celular. Talvez as novas gerações se acostumem a isso, mas existe uma velocidade do processo que é de tal calibre que a psicologia humana talvez não consiga adaptar-se. Estamos em velocidade tão grande que não existe nenhuma bibliografia científica americana que cite livros de mais de cinco anos atrás. O que foi escrito antes já não conta, e isso é uma perda também quanto à relação com o passado.

PERGUNTA -A fé cega na internet, por outro lado, cria monstros?

ECO - Sim, parece que tudo é certo, que você dispõe de toda a informação, mas não sabe qual é confiável e qual é equivocada. Essa velocidade vai provocar a perda de memória. E isso já acontece com as gerações jovens, que já não recordam nem quem foram Franco ou Mussolini! A abundância de informações sobre o presente não lhe permite refletir sobre o passado. Quando eu era criança, chegavam à livraria talvez três livros novos por mês; hoje chegam mil. E você já não sabe que livro importante foi publicado há seis meses. Isso também é uma perda de memória. A abundância de informações sobre o presente é uma perda, e não um ganho.

PERGUNTA - A memória é o esquecimento, como diria [o escritor uruguaio] Mario Benedetti?

ECO - É a história de "Funes, o Memorioso", de Borges: aquele que tem toda a memória é um estúpido.

PERGUNTA - Tanta informação faz com que os jornais pareçam irrelevantes?

ECO - Esse é um de nossos problemas contemporâneos. A abundância de informação irrelevante, a dificuldade em selecioná-la e a perda de memória do passado -e não digo nem sequer da memória histórica. A memória é nossa identidade, nossa alma. Se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal. Se você bate a cabeça em algum lugar e perde a memória, converte-se num vegetal. Se a memória é a alma, diminuir muito a memória é diminuir muito a alma.

PERGUNTA - Qual seria hoje o papel da informação?

ECO - Creio que perdemos muito tempo nos formulando essas perguntas, enquanto as gerações mais jovens simplesmente deixaram de ler jornais e se comunicam por meio de mensagens de texto. Eu não posso me desligar dos jornais. Para mim, sua leitura é a oração matinal do homem moderno. Não posso tomar o café da manhã se não tiver pelo menos dois jornais para ler. Mas talvez sejamos os resquícios de uma civilização, porque os jornais têm muitas páginas, mas não muita informação. Sobre o mesmo tema há quatro artigos que talvez digam a mesma coisa... Existe abundância de informação, mas também abundância da mesma informação. Não sei se você se lembra de minha teoria sobre o "Fiji Journal". Eu estava em Fiji coletando informações sobre os corais para meu livro "A Ilha do Dia Anterior" [ed. Record], e em meu hotel chegava todas as manhãs o "Fiji Journal", que tinha oito páginas -seis de anúncios, uma de notícias locais e outra de notícias internacionais. No mês que passei ali, a primeira Guerra do Golfo estava prestes a estourar, e, na Itália, o primeiro governo de Berlusconi tinha caído. Inteirei-me de tudo porque em uma única página de notícias internacionais, em três ou quatro linhas, davam-me as notícias mais importantes. Vamos à internet para tomar conhecimento das notícias mais importantes. A informação dos jornais será cada vez mais irrelevante, mais diversão que informação. Já não nos dizem o que decidiu o governo francês, mas nos dão quatro páginas de fofocas sobre Carla Bruni e Sarkozy [atual presidente da França]. Os jornais se parecem cada vez mais com as revistas que havia para ler na barbearia ou na sala de espera do dentista.

da Folha de S.Pauloda Folha Online

Leia a íntegra do debate entre Steven Johnson e Paul Starr

Matéria boa da Folha: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u551660.shtml

Globo investe em mobilidade



Por Paulo MacedoFonte: PropMark - www.propmark.com.br


Emissora vai ampliar audiência com sinal em ônibus, metrô, trens e telefones celulares e prevê crescimento de 8%.

A transmissão para novas plataformas que se tornaram possíveis com o advento da televisão digital está na pauta da Rede Globo, que inicia nesta semana testes finais para levar seu conteúdo para telas em ônibus, metrô, trens, táxis e telefones celulares.
O diretor geral da emissora, o executivo Octávio Florisbal explicou que a exposição do conteúdo e da forma ainda depende de estudos definitivos. A emissora está mantendo negociações com as empresas que exploram mídias com mobilidade e portabilidade para definir modelo de negócios cuja base de remuneração será a publicidade. Nos telefones celulares, basta o consumidor ter aparelho com acesso ao sinal de TV para ter a programação à disposição. Nas telas em ônibus, por exemplo, ainda se discute o tempo da programação, mas elas têm capacidade para exibir a programação completa, como destacou o engenheiro Fernando Bittencourt, diretor da área de tecnologia da Rede Globo.“Vamos ampliar a audiência com essas novas plataformas podendo transmitir a nossa programação que já chega a 55 milhões de lares em todo o País. Existem alguns desafios, como a qualidade do som, mas os estudos estão bem avançados. Temos que entender que o Brasil tem atualmente 12 milhões de lares com acesso à internet com banda larga e 150 milhões de celulares. A portabilidade e a mobilidade exigem que as TVs estejam com seus conteúdos disponíveis nesses meios”, disse Florisbal que afirmou que a Rede Globo teve crescimento de 13% no exercício de 2008 e que espera que as receitas tenham elevação de 8% neste ano, com a inflação já embutida.Florisbal disse ainda que o barateamento dos celulares com acesso à TV vai ser divisor de águas na estratégia. “Para o Dia das Mães, têm fabricantes prometendo o equipamento por R$ 390. E a tendência é de baixar ainda mais o valor do produto”, acrescentou.Florisbal comentou o balanço da Globo Comunicações e Participações, holding que controla a Rede Globo de Televisão, no qual a emissora exibe receitas de R$ 7,6 bilhões com publicidade “Foi um ano muito bom. Neste ano queremos ter desempenho semelhante, mas já sabemos que as despesas serão maiores. Por isso, estamos estimulando maior qualidade nos orçamentos para não comprometer o resultado. O primeiro trimestre deste ano, contrariando uma série de previsões negativas, foi excelente.O segundo trimestre deverá ser mais moderado e o segundo semestre vai dar o equilíbrio final”, ressaltou o diretor geral da Rede Globo durante a apresentação da programação de 2009, que terá início na próxima segunda-feira com a novela “Caras & Bocas” e retorno de programas como “Casseta & Planeta” e “Toma lá da cá”.Audiência é ponto nevrálgico na estratégia das emissoras de televisão. A Rede Globo quer recuperar a média de 22% do share obtido entre 1997 e 2007 nos mercados que integram o PNT (Painel Nacional de Televisão) composto por 14 mercados auditados com o aparelho people meeter do Ibope/Nielsen e que a partir do segundo semestre passará a contar com a cidade Goiânia. O pico de audiência desde que o PNT foi implantado na década de 90 foi o ano de 2006 com média de 24%. No ano passado a Rede Globo teve 19% do share de audiência.“Este ano queremos chegar a 21%, mas o sonho é repetir 2006. Estamos atentos à concorrência e a melhor arma é fazer uma grade de programação com maior qualidade ainda. Essa diminuição, porém, não teve interferência na performance comercial. As agências fazem seus planos de mídia com base nas audiências por target”, justificou Florisbal.A saudabilidade financeira é destacada por Floribal. Ele lembra que no início do ano 2000 a empresa chegou a cancelar seus pagamentos para promover reestruturação. Os débitos, segundo ele, foram provocados pelos investimentos na implantação da rede a cabo. “Devíamos US$ 2,6 bilhões, mas já pagamos U$ 2 bilhões. O restante pode ser pago até o ano de 2022. Temos US$ 2 bilhões em caixa e poderíamos quitar, mas como temos a alternativa de pagar US$ 5 milhões a cada mês, optamos pelo escalonamento”, ponderou Florisbal que vai manter o plano de investimentos de US$ 100 milhões por ano como prevê o plano trienal. A Rede Globo vai construir até 2011 um novo prédio no Rio de Janeiro, outro em Brasília e também em São Paulo.

As cinco funções do Twitter

Por Adriana Salles Gomes (editora da revista HSM Management)
Este texto foi publicado, originalmente, no Blog da HSM. Para ler este e outros post, clique aqui: http://hsm.updateordie.com/.HSM Online30/04/2009

Veja quais são, no mínimo, as utilidades desta ferramenta, que rapidamente se populariza e ganha espaço na internet.
Com o boom de popularidade do Twitter, na esteira da entrada da Oprah no microblog nos States e da reportagem do Fantástico no Brasil, elevou-se também a rejeição à ferramenta, dos que a acusam de inútil a um ralo de tempo com superpoder de sucção e entupido pelo excesso de informações. E, no meio do tiroteio, uma pergunta não cala: o Twitter serve para alguma coisa? Se sim, para quê?Venho utilizando o Twitter desde o final do ano passado e queria me arriscar a falar de cinco funções mais universais, e bem definidas, que encontrei ali e que fizeram com que me apegasse a ele:
1) Sentido instantâneo de comunidade.2) Manifestação (e observação) da individualidade.3) Comunicação rápida e eficaz.4) Laboratório.5) Fonte potencialmente valiosa de informações e aprendizado.
Depois do jump, a explicação.
1) Sentido instantâneo de comunidade. Em todas as outras redes sociais, as atividades precisam de um mínimo de organização, fóruns etc. No Twitter, você consegue entrar em alguma ação comunitária facilmente. Hoje, por exemplo, foi twoonday ali, o dia em que todos os avatares deveriam ser substituídos por um cartoon, um personagem alter-ego. Eu fui observando os avatares se transformarem até que entendi –e demorei para fazer a mudança por falta de tempo mas acabei virando a Pinky Dinky Doo por um dia. As retuitadas de posts igualmente “cimentam” esses tijolos comunitários. Outra ferramenta de construção comunitária é a #followFriday, que é quando alguém fica sugerindo pessoas para os outros seguirem, sempre às sextas-feiras. E compartilhar música (geralmente pela dupla Blip.fm e Twitter) também entra nesse item, assim como a torcida pelo meu time do coração, o São Paulo, no jogo da Libertadores (que é o que importa - rsrs), que eu pude estender até a quem estava lá no estádio.
2) Manifestação (e observação) da individualidade. Tenho visto mais e mais pessoas buscando a diferenciação (ou exercitando-a) no Twitter –geralmente, na base do humor. Como esse carinha, que diz em sua Bio: Estudante de Direito. Sigo quem me segue, não sigo quem não me segue. Salvo poucas exceções, só leio Direct Messages. Portanto, FOLLOW ME!!!” –embora ele siga mais de 200 neguinhos e tenha só 45 seguidores. Ou todos os exemplos malucos citados pela Robi Carusi nesse post e nesse. Ou os avatares mutantes, que vão se transformando em personagens. Ou os microcontos, exibindo o talento literário de cada um, o que pode ser conferido no tag #140. Pense bem: o Twitter é um palco, ou uma vitrine, como o BBB, mas as pessoas precisam ter algum valor real ali para atrair público, diferentemente do BBB. Rendendo um voyeurismo muito mais de resultados. O Orkut e outras redes sociais também têm essa pegada, claro, mas o Twitter acelera o processo e faz com que se cruzem mais as fronteiras das diferentes comunidades.
3) Comunicação rápida e eficaz. Pessoas que possuem meu telefone e meu email têm diversas vezes preferido falar comigo pelo Twitter, tanto em mensagens abertas (que os outros também podem ler) como em mensagens diretas. Fiquei me perguntando por quê, principalmente no caso número 2. Concluí que isso está relacionado com a forma de comunicação do Twitter (mensagens rápidas; o limite de 140 caracteres automaticamente justifica o fato de serem breves) e também com o fato de que as pessoas se sentem mais próximas e conectadas com o outro sabendo que estão todos aninhados sob as asas do Twitter (um pouco como acontece com o Messenger talvez). Como se a resposta a um contato ficasse mais garantida assim.
4) Laboratório (para inovar, inclusive). O Twitter é excelente para lançar ideias e ver como as pessoas reagem. Um exemplo bem básico: você quer escrever um post, mas tem dúvida sobre se ele vai interessar? Solta um teaser lá para sentir se repercute. É engraçado perceber como alguns temas têm retorno imediato e outros passam batido. Eu ando numa fase de pôr frases de grandes escritores lá, um tempero de literatura. O Oscar Wilde teve boa resposta, por exemplo, mas o Nelson Rodrigues nada. Se eu fosse uma produtora e estivesse na dúvida entre os dois autores, ou entre os dois estilos, para fazer alguma produção, isso já poderia influenciar a minha decisão. Dá para fazer muito laboratório para valer se você tiver uma boa rede.
5) Fonte de informações e aprendizado. Tanto de fontes qualificadas, profissionais (especialistas, empresas, sites noticiosos) como de amigos e de pessoas comuns. O Twitter é uma fonte riquíssima, basta montar um bom mix de following folks!!! Quanto às fontes qualificadas, por exemplo, vou dar o exemplo da área de gestão de empresas: já estão lá os melhores veículos (tipo Wired, Fast Company e nós aqui da HSM) e os maiores especialistas –só não segue quem não quer. É como se você montasse um NetVibes no Twitter, e com mais facilidade. Sobre os amigos, é o jeito mais fácil de compartilhar as pequenas descobertas do dia a dia (um novo aplicativo, uma liquidação de loja) e os follow-ups (saber se o filho da amiga sarou da caxumba) –bem melhor que msn (é bem menos invasivo), e-mail ou blog (duas opções mais demoradas). Poderia ter escrito isso também na parte da comunicação rápida e eficaz, relativo a mensagens abertas.
Sobre as fontes comuns, o Marcelo “Bauducco” Pereira da Silva as definiu bem: “Eu acho o Twitter útil pra entender melhor as pessoas e seus valores. Aquelas mensagens tipo ‘bom dia’ que todo mundo acha levianas. É bem interessante (para) tentar compreender o que leva as pessoas à ação através do comportamento e amenidades”. Leia-se “entender o consumidor:. Sem falar nas reflexões e sacadas das pessoas sobre a vida, que você pode ter o privilégio de compartilhar. Hoje o updater Alexandre Inagaki, outro hard user, retransmitiu o comentário de alguém que disse “as frases pessoais de msn são as novas placas de parachoque de caminhão”. Está coberta de razão a autora da frase, não está?
Fora essas funções, cada um pode encontrar a sua própria.

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